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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Análise: O Enfermeiro, de Machado de Assis


Do que o ser humano é capaz, ao se ver numa situação constante de humilhação ? Qual seria a reação provável diante de tantas hostilidades, recebidas por quem é merecedor de nossa atenção ? O ódio que se acumula na alma humana, terá o poder de explodir feito bomba, deixando alguém totalmente fora de seu controle emocional, levando-o a  cometer atrocidades num ímpeto violento, sem medir consequências de tais atos ? É nesta hora que nos igualamos a animais acuados e feridos ? Machado de Assis escreveu o conto O Enfermeiro o qual é um dos dezesseis contos que compõem a coletânea Várias Histórias, publicada em 1896 . Neste conto, Machado apresenta a sondagem psicológica de Procópio cuja tolerância foi posta à prova até o limite suportável para um ser humano normal. O desfecho do conto realista sempre nos invoca à prudência e à moderação na nossa lida diária com as pessoas pois jamais conseguiremos desvendar os pensamentos insondáveis da alma humana e nem mesmo supor do que as pessoas são capazes de fazer num momento de desespero.

ANÁLISE
a) Foco Narrativo: é a forma de se contar uma história. Pode ser em 3ª- pessoa, em que o narrador conta tudo, inclusive pensamentos, sem participar como personagem nem interferir na narrativa; pode também ser em 1ª- pessoa, em que o narrador também é personagem e conta a história sob sua perspectiva. Neste sentido, o conto O Enfermeiro está narrado em primeira pessoa com um narrador personagem que participa diretamente dos fatos ocorridos, exemplo:
"Parece-me então que o que se deu comigo em 1860, pode entrar numa página de um livro ? "

b) Tempo: Cronológico e psicológico:
Tempo Cronológico: o ano é marcado claramente: 1860
Tempo Psicológico: o narrador personagem mergulha no passado, lembrando fatos que ocorreram tempos atrás e que de certa forma, nunca poderia esquecer.

c) Personagens principais: Procópio, o enfermeiro, o coronel Felisberto, o paciente.

Enredo:  o conto narra a história do pacato Procópio que fora contratado por um padre para cuidar de um paciente idoso. Sem possuir qualquer noção de enfermagem, Procópio aceita mediante a oferta de um bom ordenado. Logo ao chegar na cidadezinha, se surpreende com a fama do seu paciente pelo fato de o povo falar que nenhum enfermeiro aguentava ficar muito tempo cuidando dele por ser muito abusado e arrogante. Procópio, homem calmo, seguiu até a casa de Felisberto para assumir seu trabalho. Em lá chegando, foi recebido na maior ignorância, fazendo jus aos comentários feitos pelas pessoas. Passado o primeiro mês, houve momento até de uma certa amizade onde o rebugento coronel desabafava; entreetanto, o tratamento dado do coronel a Procópio era sempre depreciativo, como: burro, molenga, camelo, idiota, e etc. Certa vez, Felisberto pediu a procópio que o levasse ao cartório para fazer seu testamento. Lá, o idoso xingou tanto o tabelião, quanto o enfermeiro. O tempo foi passando, numa noite, o coronel pediu uma tigela de mingau e ao provar, chamou muito palavrão ao enfermeiro, alegando que o mingau estava frio. No ápice do nervosismo, o coronel jogou a tigela de mingau em cima do enfermeiro que não reagiu; mais tarde, o coronel pediu uma moringa de água e transloucado, num delírio senil, jogou a moringa novamente no enfermeiro a qual atingiu em cheio seu rosto. Desesperado e totalmente fora de si, o enfermeiro partiu para cima do patrão, matando-o sufocado. A partir daqui, o enfermeiro anuncia a morte de Felisberto, já esperada por todos por ser um homem muito doente. Procópio mesmo preeparou o defunto, escondendo as marcas da agressão. Assim ocorreu. O remorso toma conta do enfermeiro, quando, depois de uma semana, o padre que o indicou para trabalhar com Felisberto, avisa que no testamento de Felisberto, o  herdeiro universal dos bens do idoso era ele mesmo, o próprio Procópio.

PEQUENA ANÁLISE
Existe crime que nunca venha a ser descoberto ? Creio que sim. No caso do enfermeiro, evidente que não houve a intenção de ele cometer o assassinato mas sim um impulso acumulado de mágoas e humilhações provocados pelo coronel. Humanamente não há desculpas para esse crime, Procópio errou ao enforcar Felisberto, levando-o a óbito. O crime ficou na impunidade, como tantos que existem nas histórias dos crimes insolúveis, contudo, há que se salientar que a sorte de Procópio, além de ser herdeiro de uma fortuna, está no fato de, naquela época, lá pelos idos de 1860, não haver ainda o Instituto Médico Legal. Caso contrário,  Procópio jamais conseguiria escapar da lei tão fácil, como ocorreu no conto.

                                                   Scarlet Wind

4 comentários:

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Não sabia que existe o fime. Obrigada. Com certeza, vou assisti-lo. Beijos

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  3. ótimo resolveu meus problemas ...rsrs

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